Licença-Paternidade 2026: 5 ou 20 Dias e o Que Muda em 2027

Em 2026, o pai com carteira assinada tem direito a 5 dias corridos de licença-paternidade, ou 20 dias se a empresa participa do Programa Empresa Cidadã e o pedido é feito em até 2 dias úteis após o parto. Isso muda em 2027: a Lei 15.371/2026 eleva a licença para 10 dias a partir de 1º de janeiro de 2027, 15 dias em 2028 e 20 dias em 2029, pagos como salário-paternidade.

A licença-paternidade é um direito fundamental que permite ao pai acompanhar os primeiros dias de vida do filho, contribuir com os cuidados do bebê e apoiar a mãe no período pós-parto. Muitos pais, no entanto, desconhecem as diferenças entre as modalidades de licença ou como solicitá-la corretamente.

Neste artigo, você vai entender exatamente quantos dias tem direito, quais documentos precisa apresentar, se a empresa pode negar o benefício e como proceder em caso de adoção. Também esclarecemos as principais dúvidas sobre este importante direito trabalhista.

Quantos dias de licença-paternidade a lei garante?

A legislação brasileira prevê duas modalidades de licença-paternidade com durações diferentes. A primeira é obrigatória para todas as empresas, enquanto a segunda depende da adesão voluntária do empregador a um programa específico.

Licença-paternidade de 5 dias (CLT)

O artigo 473, inciso III da CLT garante a todo trabalhador com carteira assinada o direito a 5 dias corridos de licença-paternidade. Este é o período mínimo obrigatório que toda empresa deve conceder, sem exceção.

Os 5 dias são contados consecutivamente a partir do nascimento do bebê, incluindo fins de semana e feriados. Se a criança nascer numa terça-feira, por exemplo, a licença vai até o sábado seguinte. O pai não perde salário durante este período — a remuneração é integral.

Os 5 dias valem para nascimento, adoção ou guarda compartilhada, pela redação que a Lei 14.457/2022 deu ao art. 473, III, da CLT. A empresa não pode condicionar a concessão desta licença a qualquer critério adicional além da comprovação do nascimento ou adoção.

Licença-paternidade de 20 dias (Programa Empresa Cidadã)

A Lei 11.770/2008 criou o Programa Empresa Cidadã, que permite estender a licença-paternidade para 20 dias corridos. Porém, a adesão da empresa a este programa é voluntária, não obrigatória.

Para ter direito aos 20 dias, duas condições devem ser atendidas: primeiro, a empresa precisa estar inscrita no Programa Empresa Cidadã; segundo, o pai deve participar de programa ou atividade de orientação sobre paternidade responsável oferecido pela empresa ou por entidade por ela conveniada.

Os 15 dias adicionais (além dos 5 da CLT) são pagos pela empresa. Se ela é tributada pelo lucro real, pode deduzir esse valor do imposto de renda devido — a lei proíbe deduzi-lo como despesa operacional (Lei 11.770/2008, art. 5º). O pai recebe remuneração integral durante todo o período.

Atenção ao prazo: para os 20 dias, a Lei 11.770/2008 (art. 1º, §1º, II, incluído pela Lei 13.257/2016) exige que o empregado faça o pedido em até 2 dias úteis após o parto (ou após a adoção/guarda) e comprove a participação no programa de paternidade responsável. Quem perde esse prazo fica só com os 5 dias da CLT. Formalize o pedido por escrito, com protocolo de recebimento.

Quem tem direito à licença-paternidade

Todo trabalhador do sexo masculino com carteira assinada tem direito à licença-paternidade, independentemente do tempo de serviço na empresa. O direito nasce com o registro em carteira de trabalho e vale desde o primeiro dia de contrato.

O benefício se aplica tanto ao pai biológico quanto ao pai adotivo. Em casos de adoção, o pai tem os 5 dias do art. 473, III, da CLT, apresentando a documentação da adoção. Se ele adota sozinho, o art. 392-C da CLT garante a ele a licença-maternidade de 120 dias.

Funcionários públicos também têm direito à licença-paternidade, seguindo as regras específicas de cada regime jurídico. Alguns estatutos de servidores públicos preveem períodos superiores aos 5 dias da CLT, podendo chegar a 15 ou 20 dias dependendo do ente federativo.

Tipo de Vínculo Licença Básica Licença Estendida Base Legal
CLT (setor privado) 5 dias corridos 20 dias (Empresa Cidadã) Art. 473, III da CLT
Servidor público Varia por estatuto Varia por estatuto Legislação específica
Pai adotivo 5 dias corridos 20 dias (Empresa Cidadã) Art. 473, III da CLT e Lei 11.770/2008

Como solicitar a licença-paternidade

A solicitação da licença-paternidade deve ser feita ao setor de recursos humanos da empresa assim que possível após o nascimento ou adoção. Não existe um prazo legal específico para fazer o pedido, mas recomenda-se comunicar com antecedência sempre que viável.

O ideal é informar a empresa sobre a gravidez da esposa ou processo de adoção durante o pré-natal, permitindo que o RH se organize para sua ausência. Esta comunicação prévia também facilita o planejamento das atividades profissionais e demonstra responsabilidade do colaborador.

Documentos necessários

Para nascimento de filho biológico, você precisará apresentar: - Certidão de nascimento da criança (original e cópia) - Declaração de nascido vivo emitida pelo hospital - Documento de identidade do pai

Para casos de adoção: - Termo de guarda judicial ou certidão de adoção - Documento de identidade do pai adotivo - Comprovante de processo de adoção (quando aplicável)

Se a empresa participa do Programa Empresa Cidadã e você quer os 20 dias, também será necessário comprovar a participação no programa de orientação sobre paternidade responsável exigido pela lei.

Prazo para solicitar

Para os 5 dias da CLT não há prazo rígido na legislação, mas a licença é ligada ao nascimento ou à adoção e deve ser usada logo em seguida: os dias são contados a partir do evento, e a jurisprudência entende que o direito deve ser exercido em prazo razoável. Pedir semanas depois abre espaço para questionamento da empresa.

Para os 20 dias do Programa Empresa Cidadã o prazo é objetivo: 2 dias úteis após o parto ou a adoção, conforme a Lei 11.770/2008. Por isso, o ideal é avisar o RH ainda na gestação e deixar os documentos preparados.

A empresa pode negar a licença-paternidade?

A empresa não pode negar a licença-paternidade de 5 dias garantida pela CLT. Este é um direito irrenunciável do trabalhador, e qualquer recusa configura violação dos direitos trabalhistas garantidos pela legislação.

Caso o empregador se negue a conceder a licença, o trabalhador pode buscar orientação no sindicato da categoria, procurar a Defensoria Pública ou ajuizar ação na Justiça do Trabalho. A empresa que descumpre este direito está sujeita a multa e pode ser obrigada a pagar indenização por danos morais.

Quanto à licença estendida de 20 dias, a situação é diferente. Como a adesão ao Programa Empresa Cidadã é voluntária, a empresa tem discricionariedade para participar ou não. Porém, se ela aderiu ao programa, deve conceder os 20 dias a todos os funcionários que cumprirem os requisitos.

Licença-paternidade em caso de adoção

A Lei 13.257/2016 (Marco Legal da Primeira Infância) estendeu a prorrogação do Programa Empresa Cidadã a quem adota. Os 5 dias da CLT valem para adoção pela redação dada ao art. 473, III, pela Lei 14.457/2022.

O período de licença é o mesmo: 5 dias corridos garantidos pela CLT ou 20 dias se a empresa participa do Programa Empresa Cidadã. Os 5 dias da CLT valem para qualquer adoção; a prorrogação do Empresa Cidadã fala em adoção de "criança".

Na adoção conjunta, só um dos adotantes recebe a licença-maternidade de 120 dias (CLT, art. 392-A, §5º). O outro, se for empregado, tem a licença-paternidade de 5 dias, ou 20 na Empresa Cidadã.

Licença-paternidade para servidores públicos

O servidor público federal tem tratamento mais vantajoso: desde a Lei 13.257/2016, o Decreto 8.737/2016 garante 20 dias corridos de licença-paternidade na administração federal, sem depender de adesão a programa. Os primeiros 5 dias são a licença do estatuto e os 15 seguintes são a prorrogação, pedida em até 2 dias úteis após o nascimento ou a adoção.

Servidores estaduais e municipais seguem o estatuto do seu ente. Muitos estados e municípios já concedem 20 dias, mas não é regra universal: consulte a legislação local ou o RH do órgão. Durante a licença o servidor mantém remuneração, gratificações e auxílios.

Posso ser demitido durante ou logo após a licença-paternidade?

Não existe estabilidade específica para o pai em licença-paternidade, como existe para a gestante. Mas o período de licença conta como tempo de serviço e não pode ser tratado como falta ou abandono de emprego, e a demissão logo após a licença pode ser questionada na Justiça do Trabalho quando há indícios de discriminação ou retaliação. Nesses casos a jurisprudência já reconheceu abuso de direito do empregador, com indenização e, em algumas situações, reintegração.

Situação O que diz o direito O que fazer
Demissão durante a licença Possível discriminação Procurar advogado trabalhista ou a Defensoria
Demissão logo após a licença Análise caso a caso Guardar toda a comunicação com a empresa
Ameaças ou pressão para não tirar a licença Assédio moral Denunciar ao Ministério do Trabalho e ao sindicato

O que acontece se a empresa descumprir o direito

O descumprimento da licença-paternidade pela empresa constitui infração trabalhista sujeita a penalidades. O trabalhador prejudicado pode buscar reparação através de diferentes canais, desde negociação direta até ação judicial.

As consequências para a empresa incluem: - Multa administrativa aplicada pela fiscalização do trabalho - Pagamento dos dias de licença não concedidos com acréscimos legais - Possível indenização por danos morais ao trabalhador - Registro da infração no sistema de fiscalização trabalhista

Se você está enfrentando resistência da empresa para conceder a licença-paternidade, documente todas as tratativas (e-mails, mensagens, protocolos) e procure orientação jurídica. O sindicato da sua categoria profissional também pode intermediar a situação antes que seja necessário acionar a Justiça.

Diferença entre licença-paternidade e licença parental

Alguns países adotam o conceito de "licença parental", que pode ser dividida entre pai e mãe conforme decisão do casal. No Brasil já existe uma versão limitada disso: desde a Lei 14.457/2022, nas empresas do Programa Empresa Cidadã, os 60 dias de prorrogação da licença-maternidade podem ser compartilhados com o pai, se os dois trabalham em empresas que aderiram ao programa e decidem juntos. O pai só usa a parte dele depois que a licença-maternidade termina, e precisa pedir com 30 dias de antecedência.

A licença-maternidade no Brasil é de 120 dias (ou 180 dias no Programa Empresa Cidadã), enquanto a paternidade varia entre 5 e 20 dias. Esta diferença reflete tanto aspectos biológicos (recuperação pós-parto) quanto culturais sobre os papéis parentais.

O que muda em 2027: a nova Lei 15.371/2026

Em 2023 o STF (ADO 20) reconheceu a omissão do Congresso em regulamentar a licença-paternidade. A resposta veio com a Lei 15.371, sancionada em 31/03/2026, que entra em vigor em 1º de janeiro de 2027. Até lá, valem as regras descritas acima (5 dias pela CLT ou 20 pelo Empresa Cidadã).

Alguns pontos ainda dependem de regulamento, como o prazo de reembolso às empresas.

Aviso Legal: Este artigo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui aconselhamento jurídico. Para orientação sobre seu caso específico, procure um advogado ou a Defensoria Pública da sua região.

Perguntas frequentes

A licença-paternidade é descontada do salário?

Não, a licença-paternidade não é descontada do salário. Durante os 5 ou 20 dias de afastamento, o trabalhador recebe sua remuneração integral, incluindo todos os adicionais habituais. A empresa é responsável pelo pagamento e não pode fazer qualquer desconto relacionado ao período de licença.

Posso tirar licença-paternidade mesmo se a mãe não trabalhar?

Sim, o direito à licença-paternidade independe da situação trabalhista da mãe. Mesmo que ela seja dona de casa, estudante ou esteja desempregada, você mantém o direito aos dias de licença. O benefício é exclusivo do pai e não tem relação com o vínculo empregatício da mãe.

O que acontece se meu filho nascer no fim de semana ou feriado?

A licença-paternidade começa a contar a partir da data do nascimento, mesmo que seja fim de semana ou feriado. Como são dias corridos (não úteis), se o bebê nascer no sábado, por exemplo, a licença de 5 dias vai até a quarta-feira seguinte. Não há prorrogação por causa de fins de semana ou feriados.

A licença-paternidade vale para pais de gêmeos?

O período de licença-paternidade não aumenta em caso de nascimento de gêmeos, trigêmeos ou mais bebês. Você terá direito aos mesmos 5 ou 20 dias, independentemente do número de crianças nascidas. A partir de 2027, a Lei 15.371/2026 prevê acréscimo de 1/3 apenas no caso de criança com deficiência.

Pai desempregado tem direito à licença-paternidade?

Não, a licença-paternidade é um direito trabalhista que depende do vínculo empregatício ativo. Pais desempregados, autônomos ou que trabalham sem carteira assinada não têm direito ao benefício. O direito existe apenas para trabalhadores com contrato de trabalho formal vigente no momento do nascimento ou adoção. Isso muda a partir de 2027: com a Lei 15.371/2026, quem mantém a qualidade de segurado do INSS passa a ter direito ao salário-paternidade.

Posso tirar licença-paternidade se trabalho como MEI ou autônomo?

Em 2026, não: MEI, autônomos e prestadores de serviço sem carteira assinada não têm licença-paternidade. A partir de 1º/01/2027, com a Lei 15.371/2026, quem contribui para o INSS como contribuinte individual (inclusive MEI) passa a ter direito ao salário-paternidade, pago direto pela Previdência.

O que fazer se a empresa se recusar a dar a licença-paternidade?

Formalize o pedido por escrito, com protocolo, citando o artigo 473, III, da CLT. Se a recusa continuar, procure o sindicato da categoria, registre denúncia na fiscalização do trabalho ou busque a Defensoria Pública. A negativa é ilegal e pode gerar multa para a empresa e indenização por danos morais ao trabalhador.